terça-feira, 3 de junho de 2008

Dualidade

O sentido de dualidade sempre esteve presente na história da humanidade, assim como em seus costumes e imaginários. A crença e a representação de opostos faz parte da mente humana e é vista em diversas intensidades, algumas vezes como uma coisa mais equilibrada, como Yin Yang, outras mais extrema, Deus e Diabo. Baseando-se nas inúmeras representações, qual seria a visão mais abrangente do dualismo?
Segundo Christian Von Wolff, dualidade "é o sistema filosófico ou doutrina que admite, como explicação primeira do mundo e da vida, a existência de dois princípios, de duas substâncias ou duas realidades irredutíveis entre si, inconciliáveis, incapazes de síntese final ou de recíproca subordinação." Contexto esse que pode ser usado em diversas doutrinas, na maioria cristãs, mas que deixa a desejar em pensamentos pagãos e orientais, tendo como exemplo a Wicca e o já citado Yin Yang. Nesses modos de pensamento a dualidade é abordada como algo existente porém harmônico. Na Wicca existem a Divindade Masculina e a Feminina as duas em completo equilíbrio, portanto não são "realidades irredutíveis entre si, inconciliáveis, incapazes de síntese final ou de recíproca subordinação". O mesmo se aplica à visão Taoísta de equilíbrio entre Yin Yang.
Elementarmente, todas essas variâncias nos conceitos podem ser reduzidos à algumas definições básicas. Elas podem ser resumidas em dois pólos, o positivo, representando o Homem, a vida, a Razão, o Yang e, rudimentarmente, o "Bem", e o negativo, sendo a Mulher, a morte, a Emoção, o Yin e, na mesma forma rudimentar, o "Mau".
Porém, mesmo acabando com todas as variâncias de conceitos, existe a diferença na crença das pessoas. Algumas só conseguem ver o pólo negativo como algo ruim, outras acreditam no equilíbrio dessas forças opostas. Dos que abominam a parte negativa se destacam os cristãos, porém eles não levam em conta ensinamentos presentes no seu livro sagrado, a Bíblia, nela Deus aparece como aquele que exerce ambas as forças, o que dá a vida e pode tirá-la, e, ao criar o homem, aquele que é ao mesmo tempo Mãe e Pai. O Deus cristão se mostra como a união de ambos os pólos. Já nas crenças e filosofias orientais e pagãs a dualidade é abordada como o equilíbrio dessas duas forças opostas, mas desprezam o pensamento de que esses opostos podem convergir para uma única força.
De acordo com a filosofia Thelemita, existem as divindades Mãe e Pai, Isis e Osiris, e, do encontro das duas, o Filho, Hórus. Junto com essa definição vêm os Aeons, períodos de cerca de 2000 anos que caracterizam a duração de um determinado ciclo regido por determinados conceitos mágicos na filosofia thelêmica. Tais conceitos são determinados pela Divindade Regente do Aeon. Existiu o Aeon de Isis, seguido pelo de Osiris e, atualmente, o de Hórus. Em cada um deles acontecem mudanças no pensamento da humanidade, assim como nos seus costumes e crenças.
O Aeon de Isis foi marcado pela adoração do Feminino, esse período ( que acredita-se ter começado aproximadamente 2.400 anos a.c ) pode ser melhor definido pela citação tirada do site Ocultura:
"Nos obscuros inícios do Aeon, os seres humanos eram ignorantes da lei da causa e efeito do sexo e do nascimento. Isto é, eles não conseguiam ligar uma coisa à outra. A vida lhes parecia surgir somente da mulher. O sangue fluía inexplicavelmente de seu corpo no mesmo ciclo da lua. E quando este ciclo de fluxo sanguíneo era interrompido, seu ventre crescia por nove luas até que a nova vida nascia. Ela então continuava a nutrir esta vida com seu leite, o sangue branco de seus seios, e sem esta nutrição, dada diretamente de seu corpo, a nova vida perecia.
Nada podia equiparar-se com o poder da mulher. Dela toda vida procedia e sem ela nenhuma vida aparecia. Como a lua, ela mesma, a mulher vivia três ciclos: o ciclo da jovem, da mãe, e da velha; fertilidade, sustento e sabedoria. Uma vez a criança desmamada, a própria terra tornava-se a mãe substituta, diretamente provendo a carne o sangue de animais e plantas para seu sustento. Mãe era a vida. Terra era mãe. DEUS ERA MULHER. Morte era um mistério que não podia ser resolvido e nem compreendido ou suplantado."
Já no Aeon de Osíris o pensamento humano evoluiu e começou a compreender coisas que antes eram tidas como mistérios, por exemplo o nascimento. No mesmo site existe uma outra passagem que melhor descreve esse Aeon:
"A Fórmula do Deus Morto: Pode ser dito que o Aeon de Osíris começou quando o homem e a mulher tornaram-se cientes do Sol, e reconheceram que a fertilidade da Terra (e consequentemente suas vidas) dependia diretamente do poder vitalizante da luz solar. O segredo da vida era agora percebido como uma associação do Sol e da Lua, e nossos ancestrais viram esta associação refletida neles próprios: homem e mulher, phallus e kteis, pai e mãe. Quando tornou-se universalmente conhecido que sem o Sol, a Terra perecia e sem o sémen de um homem, uma mulher permanecia infecunda, a consciência e atitude humana mudou radicalmente. A Fórmula de Ísis foi alterada; a mulher dava nascimento a vida, mas a Vida vinha do Sol. Deus agora era Pai."
Finalmente o Aeon de Hórus chegou para acabar com a distinção entre Pai e Mãe, unindo ambos em uma única figura, o Filho. Essa fase, que começou por volta do ano 1904, é melhor descrita pelo trecho:
"De pé, como nós estamos, ante o limiar do Aeon de Hórus, o que observamos acontecendo no mundo é mais precisamente um estado de preparação. Mas é o natural resultado dos interesses do velho Aeon resistindo ao estabelecimento do novo. É muito semelhante aos choques que as famílias experimentam quando uma criança cresce e finalmente torna-se adulto e abandona sua casa. Eventualmente os pais aceitam o inevitável e, em muitos casos, formam uma nova e suportável relação com o jovem.
Nós somos os jovens que tornaram-se recentemente auto-consciente. Nós ainda amamos nossas mães e nossos pais, mas nós sabemos que jamais seremos felizes enquanto formos uma extensão das vidas de nossos pais ou estivermos presos aos padrões de vida deles. Agora que estamos conscientes da continuidade da existência, agora que nós reconhecemos o indivíduo como a básica unidade da sociedade, nós jamais retornaremos às incompletas percepções do passado."


Após milhares de anos de evolução a consciência humana chegou ao ponto de superar as noções de opostos e dualidade, unindo ambos em um só conceito. A verdadeira essência do dualismo é a consciência de unicidade presente no mesmo.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Mamãe... Eu vou para o céu?

Para estrear o Blog, que está criado e inactivo já faz um tempo, nada melhor do que um pensamento sobre uma das maiores preocupações do Homem. O Pecado.

Definição essa que é dada a um ato de desobediência às vontades de Deus, assim como às suas leis e afins. Na língua hebraica (hhatá), e no grego comum (hamartáno), pecado é um "erro", porém no sentido de não acertar um alvo, padrão ou ideal.

Várias religiões e filosofias têm concepções diferentes de pecado, algumas diferem tanto que chegam a confundir quem tenta encontrar um ponto em comum entre todas essas definições.


Existe o conflito entre os livros sagrados. Se você ler a bíblia e interpretá-la de um certo modo vai "entender" que todos aqueles que aceitarem a palavra bíblica de Deus irão para o céu, enquanto os outros queimarão no mármore do inferno. Já no Alcorão fica expresso que só os seguidores do mesmo ficaram livres do sofrimento eterno.

As disparidades entre as concepções de certo e errado afectam costumes de tidos como normais em certas culturas. O uso de alucinógenos em práticas místicas, por exemplo, é totalmente normal em algumas tribo, mas é totalmente condenável pelo espiritismo, pois qualquer droga afecta o presispírito e seu uso é visto como "suicídio".

Qualquer estudo mais aprofundado sobre pecado, seguido da comparação de duas ou mais concepções do mesmo, aponta para uma redundância extrema. Se quisermos ver o mundo com Olhos Eclécticos precisamos abolir a palavra de pecado.

Não existe atitude errada se induzida por pura vontade direcionada, a não ser quando essa vontade vai contra a de outras pessoas. Cada pessoa é uma estrela, o centro do seu próprio universo, podendo controlar tudo a sua volta e influenciar o mundo inteiro e seguindo uma rota no infinito do Universo. Mas quando esse curso é alterado e vai de encontro com outros, causando o choque entre estrelas (vontades) os problemas começam a aparecer.

Eu tento ao máximo perceber quando minhas vontades vão contra as dos outros. E acredito que consigo na maioria das vezes. Não me recato em nada, faço tudo que me faz vontade e vou contra muitos princípios culturais e religiosos. Mesmo assim me considero no meu caminho, o que é mais importante. Eu vou para o Céu... E você?

"A palavra de pecado é restrição"